A Medicina da Conservação constitui uma nova ciência, voltada para enfrentar a ameaça crescente que agentes etiológicos, dos mais diversos tipos, afligem sobre a riqueza biológica do planeta. Caracterizada principalmente por dois componentes básicos: pesquisa e ação; essa ciência opera fundamentalmente composta por equipes profissionais multidisciplinares, capazes de transpor limites clássicos das suas profissões. Nesse capítulo serão abordados temas conceituais, históricos e metodológicos referentes a essa nova ciência.
É considerada como uma ciência essencialmente “transdiciplinar”, foi sugerida e denominada pela primeira vez em 1996 por Koch3 que mencionou o estudo dos contextos ecológicos inter-relacionados à saúde, sendo assim superficial tratá-la apenas como um tema. Entretanto, devido principalmente ao fato de tratar-se uma ciência recente e, portanto ainda em formação, sofre atualmente pela carência de profissionais dispostos e habilitados a transpor alguns conceitos inerentes às suas disciplinas originais. Adicionalmente, a premente necessidade de definir e corroborar alguns conceitos particulares dessa ciência, por vezes faz parecer que a Medicina da Conservação trata-se de apenas mais uma disciplina, a qual Médicos Veterinários podem ou devem atuar. Entretanto, seria mais preciso considerar a Medicina de Animais Selvagens e todas as suas áreas de proficiência, e particularidades específicas, como disciplinas que contribuem na construção dessa nova ciência. Dessa forma, como definição a “Medicina da Conservação é a ciência para crise da saúde ambiental e a conseqüente perda da diversidade biológica, desenvolvida por meio de transdisciplinaridade na execução de pesquisas, ações de manejo e políticas públicas ambientais voltadas à manutenção da saúde de todas as comunidades biológicas e seus ecossistemas”.
Finalmente, deve-se considerar que atuar em Medicina da Conservação é trabalhar para manter a diversidade biológica e conseqüentemente a qualidade de vida para pessoas, espécies domésticas e selvagens, sobretudo com intenção de manter em um Ambiente Saudável a plena saúde ecológica.
Originalmente a Medicina da Conservação se praticou a partir da conexão entre saúde humana, saúde animal e saúde do ecossistema (Fig. 1), avaliando por um lado as múltiplas interações entre patógenos e doenças e, por outro lado, entre espécies e ecossistemas.9 Contudo, considerando as inter-relações e a complexidade dos processos que ordenam os ambientes na Terra, pode-se conceituar que a Saúde Ambiental é dependente da conjunção da Saúde Humana, Saúde Animal e Saúde Vegetal, o que garante a Saúde de todo o Ecossistema
A Medicina da Conservação deve ser considerada transdisciplina, pois necessita da integração e da transposição de conhecimento de diferentes disciplinas, pois requer a atuação conjunta de profissionais de diversas áreas, abordando os complexos aspectos da interseção entre saúde e ambiente.
Referencia:
MANGINI, P. R.; SILVA, J. C. R. Medicina da conservação: aspectos gerais. In: CUBAS, Z. S. C.; SILVA, J. C. R.; CATÃO-DIAS, J. L. Tratado de animais selvagens: medicina veterinária. São Paulo: Roca, 2006.

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